Manejadores realizam pesca coletiva de mais de 1 ton de pirarucu em Pixuna do Tapará

Quarenta e três pirarucus foram capturados na pesca comunitária realizada no período entre 10 e 13 de novembro em Pixuna do Tapará, localizada no PAE Tapará. A atividade integra a estratégia de valorização do manejo sustentável do pirarucu assessorada pela Sapopema, onde uma vez por ano os pescadores se reúnem para capturar coletivamente a quantidade definida pela contagem anual.

“Durante a contagem, cada pescador conta quantos pirarucus observou em uma unidade de área durante um intervalo de 20 minutos. Somente pirarucus maiores de 1 metro são contados, sendo classificados em duas categorias: juvenis (bodecos) (1-1,5 m) e adultos (>1,5 m). Os pescadores devem fazer as contagens de forma silenciosa para assegurar a acurácia das contagens e evitar que o comportamento do pirarucu seja alterado” – explica a bióloga da Sapopema, Poliane Batista.

O manejo sustentável da pesca compreende um esforço enorme de conservação. Pescadores que se dedicam ao manejo do pirarucu, gastam tempo em vigilâncias noturnas, reuniões para organização comunitária, contagem do pirarucu no lago para estabelecimento da cota, dentre outras ações. A pescaria se concentrou nos lagos da comunidade que tem sido manejados por mais de duas décadas e que tem garantido a conservação do pirarucu e outros recursos pesqueiros locais. Para os manejadores, a pesca coletiva premia o esforço dedicado em vigilâncias, contagens e conservação.

“Pra nós é uma alegria muito grande porque é fruto de um trabalho que nós pudemos ver no trabalho que é desenvolvido há mais de quarenta anos na comunidade. Traz uma alegria muito grande de continuar com o trabalho muito árduo, que requer um esforço muito grande de nós comunitários. Mas graças a Deus hoje nós temos a parceria com a Sapopema que nos dá o apoio direto no manejo do pirarucu. Na contagem que nós realizamos todos os anos pra saber a cota que nós podemos tirar de peixe por ano, pra gente é uma satisfação. Foi uma pesca turística” – ressaltou o presidente da Associação Comunitária de Pixuna do Tapará, Alciney Rodigues.

Na atividade que durou três dias, foram capturados 43 peixes que totalizaram 1.150 quilos comercializados para um restaurante de grande porte da cidade e oferecido em evento de turismo na comunidade.“As atividades de pesca fazem parte do planejamento de valorização da atividade de manejo aqui na região do Baixo Amazonas em Santarém. A pesca coletiva faz parte da estratégia de comercialização nas feiras e este ano por decisão e articulação de todas as comunidades, estão viabilizando processos de pesca do manejo do pirarucu e implementando relações específicas com interessados na compra dessa produção. É a continuidade de um processo que vem acontecendo ao longo desses últimos anos com assessoria técnica específica para o manejo e organização dessa atividade” – contou Antônio José Bentes da coordenação da Sapopema.

A comunidade também integra o projeto Ciência Cidadã Para a Amazônia através dos estudantes e professores da escola Nossa Senhora Aparecida. Por meio do aplicativo ictio, registram as pescarias com informações sobre espécies, peso e quantidade. Com esses dados, consegue avaliar a evolução dos estoques de peixe. “A pesca coletiva é a oportunidade que a comunidade tem de levantar recursos financeiros para manter as atividades em torno do manejo que inclui vários processos. Desde fiscalização que tem um custo muito alto para os pescadores com combustível, recursos humanos e alimentação. Particularmente a pesca coletiva cumpre um papel social bem importante para manter a atividade de manejo na comunidade” – avaliou Batista.

Manejo no PAE Tapará Além de Pixuna do Tapará, as comunidades Santa Maria do Tapará, Tapará Miri, Tapará Grande e Costa do Tapará (município de Santarém) realizam o manejo sustentável do pirarucu. Além do cumprimento das regras de tamanho mínimo captura (1,5m) e período de defeso (IN 34/2004) estabelecidas pelo – IBAMA, os pescadores definem em seus territórios acordos de pesca que normatizam as regras válidas que restringem ainda mais o uso do recurso. Baseados nesses acordos, eles realizam vigilância dos ambientes aquáticos contra ação de invasores, promovem levantamento de estoque através das contagens de pirarucu e, a partir disso, estabelecem cotas de pesca (30% do número total de pirarucus do lago). Por exemplo, a cada dez pirarucus contados, capturam apenas três.

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